Empresas que contratam gays, negros e deficientes físicos lucram mais

Cresce o número de companhias que apostam em equipes com mais mulheres, negros, gays e pessoas com deficiência

Carlos, Rita, Idarlene, na primeira fila; Nydia, Gabriel, Luiz Felipe, Lilliam e Patrícia atrás, trabalham na Brasal, que conta com ambiente diverso

Apesar do conservadorismo estar de volta à política, no meio corporativo a diferença tem sido muito bem-vinda. Nas melhores empresas globais, incluindo algumas brasileiras, ser homem, branco e heterossexual está deixando de representar um passaporte para a ascensão profissional. Isso não só melhora a imagem das empresas: se traduz em dividendos significativos. É o que o Correio mostra hoje e amanhã na série de reportagens A diferença que faz a diferença.

A diversidade — seja por cor, por raça, por gênero, por orientação sexual ou pelo fato de a pessoa ter deficiência — é uma vantagem competitiva e um diferencial no mercado. Estudo feito por dois professores asiáticos, publicado pela revista Management Science, mostra que as empresas se tornam mais inovadoras em países que adotaram leis que protegem profissionais. Huasheng Gao, da Nanyang Business School, em Cingapura, e Wei Zhang, da Universidade de Finanças e Economia de Xangai, na China, observaram dados de quase cinco mil empresas americanas que fizeram registros de patentes entre 1976 e 2008. Eles notaram aumento de 8% na comparação com companhias de nações sem essas leis.

Ranking

O Brasil como um todo não está bem nessa foto. Em igualdade de gênero, por exemplo, o país está em 79° lugar em um ranking de 144 países levantado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), atrás de nações como Uganda (61º lugar), Cazaquistão (51º), Colômbia (39º), Bolívia (23º) e Burundi (12º). A Islândia está em primeiro lugar.

Pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o Instituto Ethos, junto às 500 maiores empresas brasileiras concluiu que apenas 13,6% dos quadros executivos são compostos por mulheres e 4,7% por negros. Nos Conselhos de Administração, as mulheres têm presença em 11%, e os afrodescendentes, em apenas 4,9%.

A assessora da Divisão de Gênero e Diversidade do BID, Judith Morrison, conta que ficou chocada com outro dado constatado pela pesquisa: a baixa participação das mulheres nas empresas é vista como algo natural. “Dos executivos ouvidos, 62,2%, acham que a presença da mulher é adequada. Mas a mulher é muito mais preparada e muito menos representada. Isso é extremamente preocupante”, avalia. A instituição pretende fazer um estudo comparativo das que apostam em diversidade.

O coordenador do núcleo de desenvolvimento de liderança da Fundação Dom Cabral, Anderson Sant’Anna, afirma que tem percebido crescimento da importância para as empresas das vantagens de ampliar a diversidade. “Isso ocorre de maneira significativa no Brasil”, afirma. “Em alguns setores mais competitivos, e que vivenciam uma concorrência maior, visa-se sempre priorizar a diversidade. Quando um grupo é homogêneo, ele pensa muito similar, porque vem da mesma classe social e tem a mesma formação. A diversidade é importante porque oxigena o pensamento e permite visões diferentes”, compara.

*Estagiários sob supervisão de Paulo Silva Pinto

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